quarta-feira, 10 de maio de 2017

Minimalismo, e porque é que está ideia se apodera cada vez mais de mim

Minimalismo.

Menos é mais.

De certo modo, há já algum tempo que sou minimalista, nem que não seja porque, com a crise, fui obrigada a sê-lo!!! :')

Mas sim, este conceito abrange-me, talvez porque, enquanto eu crescia, a minha família não tinha tb muito dinheiro para nós darmos a luxos ou excessos. Pelo que cresci minimalista.

Até que vieram aqueles anos, os das vacas gordas, lembram-se? Cartões de crédito a cairem-nos do céu, plafonds quase infinitos, empregos que pareciam ser para sempre... Quantos de nós não nos descontrolamos um pouquinho nessa altura?

Eu gastei em roupa (finalmente pude ter a roupa de que gostava, escolhida por mim e não pelo preço), e em viagens (a minha primeira viagem foi aos 25 e, claro, paga com o cartão de crédito). Se a 2a opção foi realmente boa (embora pagando com o CC, fui realmente poupadinha em todos os restantes gastos das mesmas, que não foram assim tantas como pode-se pensar: Londres, Barcelona, Paris, Madrid e Galiza), já a 1a foi uma estupidez: aconteceu-me o que acontece a tanta gente: montes de roupa e nada para vestir! (minto, gostava de vestir tudo, mas era mesmo montes de roupa, um caos para lavar, organizar, gerir... O tempo que aquela roupa toda me levava... :P )

A crise impediu-me de comprar mais, e ainda bem. Eu sou daquelas pessoas que aprendeu muito com a crise. Esta afectou-me imenso. O emprego que parecia para sempre faltou, e o CC a precisar de ser pago, pois gastara mais do que podia. Vá lá, que não me tinha metido a comprar casa, ou teria sido mesmo uma tragédia.

Então, pronto, fui obrigada a parar. E o bem que isso me fez. OK, primeiro fez muito mal (aquele desespero do como é que eu agora vou pagar isto, o ter de deixar a casa alugada e voltar para casa dos pais - 30 anos e de volta... - a sensação de desperdício da energia destes supostos melhores anos (os 30), gasta no desemprego... Não foi fácil e ainda hoje fico com muito receio de poder voltar a passar por algo igual - se houve coisa que aprendemos com a crise é que nada é garantido).

Mas que bem que me fez porque reaprendi a voltar a ser humilde. E a humildade é uma benção.

1o, tal como disse, voltei a casa dos meus pais, e reencontrei neles um amor de que já não me lembrava, uma ajuda incondicional, algo que pensava que nunca mais voltaria a haver, porque "quando nós crescemos temos de nos tornar independentes, ricos e cheios de sucesso..." - bullshit, claro! Neles reencontrei um amor de que não me lembrava, e retribui amor que não sabia que tinha para lhes retribuir. Deus, como aquela sociedade nos tornou egoístas sem sabermos...

2o, claro, deixei de comprar. Aprendi a viver com o que tinha, a utilizar o que comprara antes e como, de certa forma, já não ia tão cedo voltar a uma vida mais "chique" (ou parva), aprendi também a pôr de parte coisas que me faziam "maior" do que sou realmente, apenas para me sobrepor (ou igualar) aos outros. Aprendi que uma roupa não me define. Que eu sou bem mais que qualquer bem material que possuo. Que uma vida simples tem mais espaço para o que é realmente importante: o tempo com os nossos, o amor, a calma e a paz. E que uma vida simples nos ajuda a perceber muito mais facilmente quem são os nossos verdadeiros amigos.


Como é óbvio, perdi uma percentagem significativa de "amigos". Mas fiz novos, mais verdadeiros, bonitos e simples como eu, e mantive, dos outros, os únicos que, descobri, afinal sempre me tinham visto como eu era, e não o que poderia ser, vestir, ter, usar, viver conforme o que eles desejavam. Portante, deixei de ser o que dava jeito a muita gente, e passei a construir relações realmente significativas.

E foi neste perído que encontrei o meu marido, o meu amor, o meu companheiro, pai do meu filho. Simples, complexo, sem cheta, tal como eu!!!! :') :') :') Hehehe!!! E como nos amamos todos!!! :) :) :) <3

E a falta de dinheiro obrigou-nos a encontrar novas alternativas para praticamente tudo: Readaptamos a cave da casa dos meus pais da forma mais digna possível, onde pintamos móveis antigos e lhes demos nova vida, reaproveitamos coisas da minha tal casa alugada, reorganizamos o jardim de modo a fazer antes uma horta, construimos um minhocário para reduzir os desperdícios e o lixo que faziamos, reciclamos... Aproveitamos o meu berço de bebé e foi aí que o nosso baby dormiu algumas noites... até nos apercebermos que ele estava bem era connosco (praticamos co-sleeping), e descartamos o berço!!! :)

Adaptamos uma mesa como muda-fraldas, caixas como "guarda-vestidos", procurei um caminho educativo para o meu filho que fizesse sentido e implicasse pouco gasto e poucos brinquedos, mas que fossem significativos: foi aí que encontrei Waldorf, e depois Montessori. Amo ambas e baseio-me nelas para educar o meu filho. Com isto vem tb a Disciplina Positiva e a Parentalidade Consciente, que estava aqui a pensar no que terá a ver com Minimalismo e concluo que, sim, poderá vir a poupar muito dinheiro no psicólogo para o D., um dia!!!!! Hehehe!!! Na verdade, este modo de parentalidade, baseado no amor, ajudará muito, isso sim, a criar um ser com uma auto-estima saudável (esperamos), que no tempo certo terá força e espírito crítico para saber selecionar o que é realmente importante e saber fugir a tudo o que nos faz mal: vícios, superegos, falta de empatia, etc...


Bem, mas quis o destino que eu voltasse a ter trabalho na minha área, e mais uma vez ainda bem que o Minimalismo se apoderou da minha vida, porque seria impossível virmos os 3 para aqui, para o meio do Alentejo, viver numa casinha tão pequenina, se estivessemos prisioneiros de muita coisa!

E cá estamos! Confesso que, apesar de tudo, ainda acho que tenho muitas coisas, mas cheguei à conclusão que, com um bebé, nos dias de hoje, é quase impossível não ter estas coisas. Ainda para mais, procuro uma vivência cada vez mais ecológica e sustentável, pelo que as Fraldas Reutilizáveis que ele usa, embora sejam algumas (aí umas 40) e ocupem mais espaço que as descartáveis, darão para ele e futuros irmãos e nunca poluirão o ambiente como as descartáveis fazem. A pegada ambiental que deixo assim, mais reduzida, faz-me acreditar que, pelo menos, lhe deixo um mundo um pouco melhor, e o legado de que a sua pegada ecológica é tb mais pequena.

A roupa dele é praticamente toda em 2a mão, e oferecida. Não precisamos de mais roupa para os bebés. Há dias li um artigo que dizia que, se não se produzisse mais roupa de bebé, tinhamos ainda roupa suficiente para todos os bebés que viessem ao mundo nos próximos 10 anos. Dá que pensar, não dá? Como é óbvio, estamos a guardá-la para um segundo bebé, e depois seguirá caminho, ou para outro bebé, ou para ser reciclada. As fraldas igual.

A minha roupa, que com os anos começou a ficar roçada, gasta e velha, faz-me agora só comprar roupa com mais qualidade para durar muito mais tempo, ou apenas roupa em 2a mão. Se puder ser em 2a mão e de qualidade, melhor! :) Calçado igual. A quantidade tb é menor do que chegou a ser no passado: tenho apenas o suficiente para caber na mala de viagem que uso quando tenho de mudar de casa devido à minha profissão! Se querem conhecer os novos ciganos em Portugal, são os professores!!!! Hahaha!!! :D :D :D Claro que por vezes há peças que não cabem na mala, mas essas ou as doo ou ficam com a minha mãe, apenas por causa daquele medo que já vos falei: não sabemos se vamos precisar outra vez. Por norma, recupero as roupas que só precisam de uma arranjinho, por outro, por vezes transformo-as em sacos para todas as utilidades. Seja como for, têm sempre uso. Uma coisa engraçada que me tem acontecido, é ter comentado com algumas colegas gostar de uma determinada peça de roupa que estão a usar e depois ser surpreendida com essa peça de presente, com um "tenho tanta roupa, já não a usava muito, e é a tua cara!" Sou grata ao Universo, porque nesses momentos sinto mesmo que vivemos, apesar de tudo, em abundância, e acredito que ao mesmo tempo essa libertação tb liberta a colega em questão, pelo que é um ganhar-ganhar! <3 E a gratidão é um sentimentos tão bonito e poderoso! <3 <3 <3 Gratidão! <3 <3 <3


O meu homem sempre teve pouca roupa, pelo que nem falo dele!!!! Hehehe!!! Tudo o que ele tem cabe tb numa mala de viagem há já anos da sua vida, não necessariamente pelos melhores motivos (histórias de vida, todos temos, não é?), mas tb aprendo com ele, pois é uma pessoa bastante desprendida das coisas. "Coisas são coisas, e o que importa somos nós" - diz-me ele quando, por alguma razão, sinto que há tanto que me faz falta, baseada nos velhos hábitos, sabem? "Uma casa, um carro, uma moto, montes de dinheiro para viajar, a nossa própria floresta... ;)" Aquelas coisas que toda a gente tem, mas nós não, mas porque é assim a nossa vida e um resultado das nossas opções: preferimos manter-nos juntos e só eu trabalhar do que ele ter de viver noutra terra por causa de um trabalho e dinheiro. Assim, ele tb fica com o baby, e quem pode ser melhor babysitter que um pai (se não houver avós por perto. Avós são os melhores babyssiters!!! ;) ;) :) )

To be continued...









sábado, 15 de abril de 2017

Venha a Paz.


Tenho dias de perfeita paz e noção de que estou exactamente onde deveria estar. E fico feliz por isso. :)

Mas depois leio uma notícia horrível qualquer, um vídeo de alguém que ignora um pai com uma criança sem-abrigo mas dá dinheiro para bebedeiras e erva e drogas, ou de um cãozinho bebé que foi salvo do meio de um rio por um sem-abrigo, onde tinha sido colocado para morrer depois de lhe cortarem a pata, bombardeamentos, armas químicas, crianças gaseadas... E fico a pensar que mundo é este.

Que mundo é este?

Quem são estas pessoas, porque é que têm os valores tão trocados? Como é que, na era da informação, ainda há tanta gente tão má? Ou será exactamente por estarmos na era da informação que estamos cada vez mais duros e a maldade se tornou uma forma de reacção?

Dou por mim a desejar uma bola de fogo enfiada pelo c... acima daqueles que fazem mal a pobres criaturas indefesas, os que não ajudam o seu semelhante quando está a passar um pior momento da sua vida... E depois vem aquela sensação de que também somos todos culpados, pois somos consumidores inconscientes de uma sociedade e de um planeta cujos recursos estão cada vez mais escassos, e exploramo-nos uns aos outros de uma forma de total desconsideração... (e a culpa por desejar mal a quem faz o mal... já me foi muito mais fácil perdoar e tentar entender que há actos que são feitos sem consciência, mas agora....)

Torna-se difícil ficar aqui sem conseguir fazer nada... Faço o que vou podendo fazer todos os dias, e de quando a quando tiro estes dias em que tento ser só livre e feliz... Mas às vezes não há como fugir a isto...

Haja mais amor neste mundo, Uns pelos outros, não pelo dinheiro ou pelos bens materiais. Uns pelos outros, humanos e animais. P.f., façam bem aos outros. Ajudem os mais fracos. Adoptem um animal. tratem bem quem se cruza no vosso caminho. Deixem os outros serem felizes. E sejam felizes. Já chega de coisas más no mundo... <3

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

4 anos mais tarde, voltei ao Alentejo...


E estou super hiper feliz!

Volto às flores, às paisagens bonitas, ao calorzinho e aos queridos alentejanos, gente boa e simpática! :)

Mas desta vez volto melhor: volto com uma família! Sim, aquela que parecia que não havia modo de acontecer, há anos atrás!!!

É curioso, as voltas que a vida dá: depois de 4 anos volto à mesma terra, à mesma escola, onde trabalhei há quatro anos. Volto a ver as mesmas caras e sinto a mesma alegria em vê-las.

Depois, a casa onde desta vez ficamos inicialmente começou a dar demasiados problemas, e lá acabei por vir voltar a viver, adivinhem: à mesma casinha pequenina de um piso, com um pequeno jardim e 2 quartos, mas com uma vista maravilhosa e imensas boas recordações!!! :D

Estou muito grata por aqui ter voltado, e por hoje ter vindo aqui de novo ao blog! É como se, de repente, tivesse voltado a encontrar-me no caminho! A sério! De repente, a Ana, que se perdeu e se encontrou noutras formas e estados de vida nos últimos 4 anos, voltou a encontrar-se aqui, neste momento, com a Ana deslumbrada e apaixonada que aqui viveu há 4 anos atrás! E tudo graças a esta casinha e a este blog! :) <3 <3 <3

Não vou falar destes últimos 4 anos, pois tempos de crise económica não contam histórias! Ainda não recuperamos a 100% da mesma, mas o simples facto de este ano ter voltado a ter trabalho na área que realmente gosto, que é ser professora, dá-me esperanças de que as coisas voltem ao seu percurso. Esperemos bem que sim!

Entretanto, aqui estou: eu, o meu amor, e o nosso pequeno de 19 meses. Estamos muito felizes, muito apaixonados uns pelos outros, e muito orgulhosos deste pequeno que vemos crescer e desenvolver-se a cada dia que passa, cada dia mais capaz, cada dia mais inteligente, cada dia mais sábio!

É incrível o que uma criança de 19 meses já sabe!!!

Hoje, ao sair com ele para irmos à lojinha da vila comprar umas coisinhas, quase desesperei com o medo que ele se lançasse à estrada sem mais nem menos, mas qual quê! O pequeno foi dizendo "pacheo, pacheo, pacheo" o caminho todo, sem sair do mesmo, enquanto eu ia reforçando a mensagem. Ele não quer que lhe demos a mão, porque já conhece o caminho, e pelos vistos já tem consciência de que vai seguro se não sair do "pacheo"! Incrível!!!!

Aprendo todos os dias com ele, e todos os dias tenho um quase pequeno momento de pânico: ele lá faz algo novo, e algo arriscado, e o meu coração de mãe só quer correr para lá e fazer por ele, ajudá-lo, não o permitir magoar-se ou arriscar-se a fazê-lo, protegê-lo no meu colo e não deixá-lo sequer conhecer o mundo... até que ele o faz, e faz bem, e não cai, e não se magoa, e sorri com o maior sorriso de gratificação, como quem diz: "Olha só o que eu consegui!!!" E eu aí fico super admirada, super feliz como ele, e não paro de admirar como pode um bebé fazer tanta coisa incrível, eu, que sempre tive esta ideia que os bebés eram frágeis e que só deviam crescer só lá para os 3, 4 anos de idade e até lá andavam sempre debaixo das saias da mãe!!! Na verdade, os bebés crescem todos os dias, se lhes dermos essa hipótese! É incrível e maravilhoso (e assustador ;) ) de ver e acompanhar!!! Mas o sorriso deles pela conquista... vale tudo, todos os medos, todos o "ai, que é desta que ele vai cair e magoar-se e.... ufa, afinal está bem!"

Os bebés são realmente super inteligentes e merecem que os ajudemos a ir conquistando todo o seu potencial. Não o estivesse a comprovar, e provavelmente nem acreditaria muito nisso. Mas é verdade, e está a ser um percurso lindo de se ver! :)

Sim, este tipo de Maternidade tem um novo e segue vários novos princípios, mas o que eu gosto mais é o "Follow the Child", de Maria Montessori.

Maria Montessori foi uma (a primeira mulher) médica italiana que se dedicou a estudar as crianças e a sua forma de aprender. Fez observações e estudos sistemáticos das crianças com quem trabalhou durante anos, e criou um Modelo Pedagógico que vai desde o recém-nascido até à idade adulta e que me parece muito bem estruturado e completo. Mas que, acima de tudo, respeita a criança e o seu ritmo de aprendizagem, acreditando que as crianças têm uma luz interior (alma) que as impele a querer aprender sempre mais e mais, a ultrapassarem-se e melhorarem-se todos os dias! Faz-me tanto sentido, isto, porque eu sinto em mim exatamenta essa força, essa necessidade, esse poder! :)

Eu vejo-o a acontecer. Todos os dias. Em mim, no D., o baby, e no P., o meu amor. Nas crianças com quem trabalho, e cujas têm beneficiado de alterações graduais que tenho implementado no meu trabalho no sentido de as tratar com mais respeito e tentar devolver-lhes essa luz que em alguns casos a escola tradicional já quase destruiu... Mas eu tenho fé, muita fé que eles ainda a consigam redescobrir!

Bem, agora vou ali terminar uns relatórios e tentarei não me esquecer de cá voltar também em breve!

Que bom estar de novo aqui! :)

Parabéns! :D

<3
Ana

Venham as flores!!! <3 <3 <3
(links nas fotos)





quinta-feira, 29 de maio de 2014

Os putos do Mc Donald's


Cinco putos jogam à bola na sala de brincadeiras do Mc Donald's.

Rio-me das suas expressões, as palavras que utilizam, e fico tranquila: apesar da mudanças dos tempos, os putos da bola continuam iguais.

Várias idades, vários tamanhos. Há sempre aquele mais velho de toma conta/manda nos outros todos e que, depois de ser chamado à atenção pelos adultos, também tem algum cuidado para que ninguém faça muitas asneiras (a não ser que seja ele a lembrar-se delas, claro!)

Depois há o pequenito. Há sempre o pequenito!

A ordem de quem é o jogador preferido é sempre relacionada com as idades. O mais velho escolhe: ele é o Messi, o mais pequeno o Quaresma para que o do meio possa ser o Cristiano Ronaldo. Equilibrado, parece. Excepto que o pequeno não gosta, quer ser o Cristiano Ronaldo e riposta com o outro com cara de mau! Uma cara zangada, típica de quem, no seu pequeno universo, provavelmente nem sabe bem quem é o Quaresma e que, por isso, é bem possível que esteja a ser gozado. Não, ele quer ser o Cristiano Ronaldo e não cede até ser!!!

Como é óbvio, o único acordo possível é o mais velho ser o Messi e os outros dois serem ambos o Cristiano, e lançar depressa a bola ao jogo antes que mais alguém se queixe. Mas, como é óbvio, assim a brincadeira já não funciona muito bem: Messi lança a bola para Cristiano, Cristiano tira a bola a Cristiano, que vai ter com Messi...

O que vale é que acaba por acontecer aquilo que sempre acontece quando finalmente já se estabeleceu o tom da brincadeira: está na hora de ir embora! Três putos de tamanhos castiços e sorrisos malandros saem para ir comer o Happy Meal.

Momentos antes, o mais velho pergunta à funcionária que pediu para falarem mais baixo: "És nova aqui?". Ela responde que não. "Ah, é que eu venho aqui todos os dias e nunca te vi por aqui!"

Dá que pensar.
A sala de brincadeiras do Mc Donald's é agora a rua que foi de todos nós, do antigamente. Estranho. E, de certa forma, triste, acho eu.

Fico apenas feliz por os putos, ao menos, continuarem os mesmos. Pelo menos quando há uma bola envolvida!

Só Deus sabe o que sairá desta geração de putos do Mc Donald's...

sexta-feira, 18 de abril de 2014

O que eu sonhei hoje...


Encontrava-me entre um grupo de pessoas, tipo uma empresa, ou uma escola para adultos, em que essas pessoas eram distantes, mas cordiais. Algumas eram mais próximas, mas aquele tipo de proximidade distante típico daqueles que apenas querem conversar um bocadinho para desanuviar do trabalho, mas com risos genuínos que enganam o nosso discernimento quanto àquilo que verdadeiramente são.

Começa o dia e temos de fazer trabalho de campo lá fora, na terra. Vários grupos começam a dispersar, com aquela conversa do "Se precisarem de alguma coisa, avisem!" e um sorriso. A gente acredita e vai.

Eu tenho um parceiro de campo que parece simpático, não muito conversador, mas profissional. Ok, ok. Já me começo a acostumar a este mundo de zombies.

Vamos por vários campos, estufas, volta e meia cruzamo-nos com os outros nelas, onde fazem o seu trabalho. O nosso não sei bem o que é.

De repente, o meu parceiro tem algo para fazer e fica numa estufa.

Eu sigo e vou para uma espécie de coreto, onde estão algumas pessoas a descansar e a comer algo. Junto-me a elas, e entre elas está uma mulher de olhar meigo com um bebé ao colo. O bebé está ligado com um tubo à barriga, que o permite respirar. Mas ele está bem, e a mulher passa-mo para eu o embalar. Entretanto, as outras pessoas saem, e ficamos apenas eu e ela.

De repente, o coreto começa a mover-se, e quando damos por ela já estamos em pleno voo, a sermos lançadas contra as paredes do mesmo. A sensação é a de uma grua que levantou o coreto da terra e o começa a sacudir de um lado para o outro, de modo a destruir quem está lá dentro. Nós as duas, e o bebé.

Ela ajuda-me, protege-me, ao ponto de eu conseguir saltar do coreto quando o mesmo se aproxima do chão, segurando o bebé. No entanto, no meio destes movimentos todos, o tubo de respiração dele salta, e ele não consegue respirar.

Corro com ele para o lado e começo a colocar o tubo no sítio. Mesmo depois de todo aquele caos, estou parcialmente tranquila e confiante de que em breve alguém chegará para me ajudar. No entanto, não deixo de tentar colocar o tubo.

Os meus colegas supostamente simpáticos chegam, mas olham-me com repulsa e afastam-se. Não sei porquê, mas apercebo-me neles uma total indiferença para me ajudar a mim ou àquele bebé. Entretanto chega o meu parceiro de campo, a correr e cheio de terra. Vira-se para mim, com os olhos brilhantes de ódio e pergunta porque é que ainda não morri. Entretanto, ao mesmo tempo e num movimento de sorte, consigo colocar de novo o tubo num momento final, e fico ansiosamente à espera que ainda vá a tempo. Então, vejo o rostinho do bebé ganhar cor e voltar a respirar! Que alívio! Aperto-o bem entre os meus braços e sorrio.

Nesse mesmo momento, o meu parceiro (e assassino) pára as suas investidas, pois fica também a olhar o bebé. Depois, os outros finalmente agem e agarram-no, prendendo-o, embora ainda assim com algum rancor para comigo, como se eu fosse a causadora de tudo. Tinha sido ele a destruir o coreto com a grua, numa tentativa de me matar. As razões são desconhecidas.

Não interessa. O bebé está bem. É recém-nascido, muito pequenino, mesmo. A senhora de olhos meigos vem a correr ter comigo, e volta a segurar o bebé. Eu estou feliz.

Ana

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

2013 foi...

... um ano incrível!!!
Tão incrível, que me faz sentir uma idiota por o ter terminado como terminei :P Enfim, ser humano sempre ingrato... Por isso, para me redimir um pouco, vou agora agradecer o excelente e diferentemente louco ano que tive!


Então, comecei o ano:


  1. Numa festa de Ano Novo numa Quinta espectacular em Gaia, trabalhando, é certo, mas a fazer algo lindo e super encantado: Animação infantil!
  2. Nessa festa estava comigo o meu príncipe encantado, alma gémea, D.:)
  3. Comi deliciosamente, saborosamente e, além de não ter pago, ainda recebi pelo meu trabalho :) Fixe :)))
  4. Fomos passar 3 dias a um turismo rural maravilhoso na aldeia de Santiaguinho, perto de Viseu. A Quinta das Delícias foi sem sombra de dúvidas isso mesmo: uma delícia! Fabienne cozinha como ninguém e encheu-nos de petiscos gourmet de cozinha francesa, além de arte maravilhosa de 
  5. Depois disso, um aniversário em família com um excelente bacalhau num restaurante de que gostamos muito perto da barragem de Crestuma, rio Douro.
  6. O mano, que se juntou com uma mãe de 2 filhos, trouxe alegria à nossa casa e família com estes miúdos lindos, pelos quais estamos todos apaixonados :)
  7. Fiquei colocada no Alentejo, pelo qual me apaixonei e onde aprendi as lições mais bonitas da minha vida nos sorrisos e humildade das crianças de lá;
  8. Fiz os passeios mais maravilhosos da minha vida em anos e anos;
  9. Vivi numa casinha de um piso;
  10. Conheci malta maravilhosa de Milfontes, com quem tive a oportunidade de passar algum tempo e sorrir muito, muito, muito!
  11. Dei aulas de Danças Tradicionais do Mundo pela 1ª vez, e depois pela 2ª, 3ª... e assim sucessivamente! Agora já não sei quantas aulas dei :)
  12. Tive a oportunidade de permanecer no Alentejo pois comecei a trabalhar numa Herdade pela qual me apaixonei também :)
  13. Na Herdade, fiz visitas numa Strakar, conduzindo em lugares com inclinações incríveis e divertindo-me imenso!
  14. Aprendi imenso sobre animais, tendo ficado amiga dos cães, gatos, porquinhos, marrãs, do varrasco, das cabras e até do Leão (ok, ok, o Leão é um cão, mas ainda assim, é fixe falar dele, é o meu favorito :) )
  15. Aprendi uma profissão nova, e acima de tudo aprendi a fazer de tudo num agroturismo (vá pelo menos na parte do turismo). Continuo a aprender :)
  16. Estive pouco com a família a partir daí, o que é uma coisa menos positiva...
  17. Vim trabalhar para Lisboa. Esta parte foi a mais difícil em muito tempo da minha vida... mas vai correndo melhor conforme o tempo vai passando...
  18. Consegui que o meu contrato fosse renovado, não voltando a ficar desempregada, como foi o meu receio durante bastante tempo.
  19. Fiz novos amigos :)
  20. Comecei a ter aulas de costura!
  21. Vivi um grande amor (Du) :)
  22. Perdi um grande amor (Du) :(
  23. Desorientei-me agora no final... 


Mas enfim... não se pode ter tudo!!!

Foi, sem dúvida, um ano maravilhoso! E eu só tenho de estar grata por isso. E relaxar mais um pouco outra vez... Até à próxima grande mudança... Ou então tenho de deixar de stressar tanto e acreditar mais, para que bons momentos não sejam sentidos como maus....

E agora, 2014... O que me espera?





sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Ana em Lisboa: 2 meses

Creio ter conseguido!

De uma maneira ou outra, agrada-me a ideia de ter tido a coragem de tentar de novo e de ter encontrado mais respostas positivas do que as anteriores. Ufa, mudar o mundo é difícil e tem mesmo de ser passinho a passinho, um de cada vez. No entanto, acredito que posso ajudar a tornar a minha empresa um sítio melhor aos pouquinhos. E, todos os dias, o mundo! :)

Ainda não me habituei a Lisboa. Aos lisboetas. Parecem-me pessoas com medo. Medo que lhes roubem o lugar. Medo que o outro os passe à frente. Medo de que lhes apontem os seus erros e, acima de tudo, medo de falhar. Eh pah, muito medo de falhar, de errar. Quase chego a acreditar de novo que errar é algo terrível e monstruoso, quando na verdade é apenas humano e digno de quem luta e tenta. É isso que tenho de me recordar todos os dias quando alguém me aponta os meus erros. E, meu deus, como esta gente deve sofrer, para me apontarem os erros assim tão... repreensivamente...

Por isso passo o dia a sorrir :) A sério :) Não digo que às vezes não custa ouvir esta gente. Claro! Mas, já não sou uma miúda e sei bem o que sou e o que valho. E que, normalmente, só fala assim quem tem medo, muito medo. Eu já não tenho medo. Estou a trabalhar e a fazer algo que me permite continuar a viver. Não adoro o que faço mas não desgosto, e aos fins-de-semana e no verão posso dedicar-me ao que gosto: ao Alentejo, à natureza, à minha linda e maravilhosa Herdade e aos alentejanos, de quem tanto gosto <3 :)

Tenho um objectivo de 3 anos por aqui :) Espero conseguir, e ajudar a tornar a Herdade um lugar maravilhoso para se passar férias, relaxar, ser feliz :) E viver :) Imagino os garotos a descerem os campos a correr, e as brincadeiras debaixo dos chaparros :) Não sei se vai acontecer, mas sonhar ainda não paga imposto :) Podia ser feliz, assim :) :) :)

A ver :)

Para já, apenas consegui que as nossas prendas de natal sejam uma ajuda para a Ajuda de Mãe, instituição de apoio a mulheres grávidas e em risco. E hoje estou muito feliz por isso :) Um dia de cada vez :) *

segunda-feira, 8 de julho de 2013

#4 Coisas que o Alentejo me ensina: Costura!


















Não, não fui eu que fiz! Mas adorei!!! Quem sabe um dia farei algo do género? Neste momento, só faço pingos (http://pingamorporai.blogspot.pt/) :) E já me sinto muito feliz :)

Quando voltar ao Porto, então aí pedirei à minha mãe que me ensine  a "costurar a sério" :D

Links das artistas destas coisas bonitas:




terça-feira, 21 de maio de 2013

#3 - Coisas que o Alentejo me ensina: Enxertia! :D ^^

Aula de agricultura de hoje, dada pelo meu querido amigo alentejano Sr. Joaquim:

As árvores de fruto podem ser enxertadas com diferentes tipos de frutos, respeitando as seguintes regras: semente com semente, caroço com caroço. Assim, uma pereira pode ser enxertada numa macieira ou num marmeleiro e vice-versa, uma laranjeira num limoeiro, uma ameixeira com um pessegueiro, ou uma só árvore pode ter vários tipos de um só fruto através de diferentes enxertos nos seus ramos. Por exemplo, uma pereira pode ter vários tipos diferentes de pêra em cada ramo, se se tiver uma estaca de cada tipo.

Quando se coloca o excerto, deve-se dar um golpe a meio da estaca e colocar casca com casca (do excerto - garfo - e da árvore - cavalo) e colocar depois barro à volta com um pano atado a segurar, de modo a manter a humidade. Isto normalmente faz-se pelo Carnaval, pois não dá para fazer noutras alturas do ano.

Grata ao Sr. Joaquim pela aprendizagem! :) <3 Plim! :D ***




quinta-feira, 16 de maio de 2013

#2 - Coisas que o Alentejo me vai ensinando - Quando eu penso que não pode haver mais flores, há mais flores!

   Fevereiro    

Março        
                                                                         


 



Abril 







Maio











sexta-feira, 10 de maio de 2013

#1 - Coisas que o Alentejo me vai ensinando - Dia da Espiga


"O Dia da espiga ou Quinta-feira da espiga é uma celebração portuguesa que ocorre no dia da Quinta-feira da Ascensão com um passeio matinal, em que se colhe espigas de vários cereais, flores campestres e raminhos de oliveira para formar um ramo, a que se chama de espiga. Segundo a tradição o ramo deve ser colocado por detrás da porta de entrada, e só deve ser substituído por um novo no dia da espiga do ano seguinte.
As várias plantas que compõem a espiga têm um valor simbólico profano e um valor religioso.
Crê-se que esta celebração tenha origem nas antigas tradições pagãs e esteja ligada à tradição dos Maios e das Maias.
dia da espiga era também o "dia da hora" e considerado "o dia mais santo do ano", um dia em que não se devia trabalhar. Era chamado o dia da hora porque havia uma hora, o meio-dia, em que tudo parava, "as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e as folhas se cruzam". Era nessa hora que se colhiam as plantas para fazer o ramo da espiga e também se colhiam as ervas medicinais. Em dias de trovoadas queimava-se um pouco da espiga no fogo da lareira para afastar os raios.
simbologia por detrás das plantas que formam o ramo de espiga:
  • Espiga – pão;
  • Malmequer – ouro e prata;
  • Papoila – amor e vida;
  • Oliveira – azeite e paz; luz;
  • Videira – vinho e alegria e
  • Alecrim – saúde e força."

In Wikipédia :D



quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Se há coisa que mais me custa...

...é esperar! IRRA!!! loooll!! :)

Tempo, passa depressa e tráz soluções depressa, por favor! :)


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Seja Agora :)



"Nós havemos de nos ver os dois
Ver no que isto dá
Ficar um pouco mais a conversar
Ter a eternidade para nós
Quem sabe um jantar
Se quiseres pode ser hoje

Vem acontecer
Porque tem de ser
E o que tem de ser tem muita força
E sei que vai ser 
porque tem de ser
Se é para acontecer pois que seja agora!

Nós havemos ambos de encontrar
Um estilo qualquer
Ou um banquinho bom para sentar
Vais ser tão bom descobrir
Que o Futuro só quem decide é a Vontade :)

Vem acontecer
Porque tem de ser
E o que tem de ser tem muita força
E sei que vai ser 
porque tem de ser
Se é para acontecer pois que seja agora!..."

ADORO!!! :) <3 ***

domingo, 27 de janeiro de 2013

I have so many dreams...

...that sometimes I wonder if they'll ever find a space to come true....









Nighty night *