quarta-feira, 10 de maio de 2017

Minimalismo, e porque é que está ideia se apodera cada vez mais de mim

Minimalismo.

Menos é mais.

De certo modo, há já algum tempo que sou minimalista, nem que não seja porque, com a crise, fui obrigada a sê-lo!!! :')

Mas sim, este conceito abrange-me, talvez porque, enquanto eu crescia, a minha família não tinha tb muito dinheiro para nós darmos a luxos ou excessos. Pelo que cresci minimalista.

Até que vieram aqueles anos, os das vacas gordas, lembram-se? Cartões de crédito a cairem-nos do céu, plafonds quase infinitos, empregos que pareciam ser para sempre... Quantos de nós não nos descontrolamos um pouquinho nessa altura?

Eu gastei em roupa (finalmente pude ter a roupa de que gostava, escolhida por mim e não pelo preço), e em viagens (a minha primeira viagem foi aos 25 e, claro, paga com o cartão de crédito). Se a 2a opção foi realmente boa (embora pagando com o CC, fui realmente poupadinha em todos os restantes gastos das mesmas, que não foram assim tantas como pode-se pensar: Londres, Barcelona, Paris, Madrid e Galiza), já a 1a foi uma estupidez: aconteceu-me o que acontece a tanta gente: montes de roupa e nada para vestir! (minto, gostava de vestir tudo, mas era mesmo montes de roupa, um caos para lavar, organizar, gerir... O tempo que aquela roupa toda me levava... :P )

A crise impediu-me de comprar mais, e ainda bem. Eu sou daquelas pessoas que aprendeu muito com a crise. Esta afectou-me imenso. O emprego que parecia para sempre faltou, e o CC a precisar de ser pago, pois gastara mais do que podia. Vá lá, que não me tinha metido a comprar casa, ou teria sido mesmo uma tragédia.

Então, pronto, fui obrigada a parar. E o bem que isso me fez. OK, primeiro fez muito mal (aquele desespero do como é que eu agora vou pagar isto, o ter de deixar a casa alugada e voltar para casa dos pais - 30 anos e de volta... - a sensação de desperdício da energia destes supostos melhores anos (os 30), gasta no desemprego... Não foi fácil e ainda hoje fico com muito receio de poder voltar a passar por algo igual - se houve coisa que aprendemos com a crise é que nada é garantido).

Mas que bem que me fez porque reaprendi a voltar a ser humilde. E a humildade é uma benção.

1o, tal como disse, voltei a casa dos meus pais, e reencontrei neles um amor de que já não me lembrava, uma ajuda incondicional, algo que pensava que nunca mais voltaria a haver, porque "quando nós crescemos temos de nos tornar independentes, ricos e cheios de sucesso..." - bullshit, claro! Neles reencontrei um amor de que não me lembrava, e retribui amor que não sabia que tinha para lhes retribuir. Deus, como aquela sociedade nos tornou egoístas sem sabermos...

2o, claro, deixei de comprar. Aprendi a viver com o que tinha, a utilizar o que comprara antes e como, de certa forma, já não ia tão cedo voltar a uma vida mais "chique" (ou parva), aprendi também a pôr de parte coisas que me faziam "maior" do que sou realmente, apenas para me sobrepor (ou igualar) aos outros. Aprendi que uma roupa não me define. Que eu sou bem mais que qualquer bem material que possuo. Que uma vida simples tem mais espaço para o que é realmente importante: o tempo com os nossos, o amor, a calma e a paz. E que uma vida simples nos ajuda a perceber muito mais facilmente quem são os nossos verdadeiros amigos.


Como é óbvio, perdi uma percentagem significativa de "amigos". Mas fiz novos, mais verdadeiros, bonitos e simples como eu, e mantive, dos outros, os únicos que, descobri, afinal sempre me tinham visto como eu era, e não o que poderia ser, vestir, ter, usar, viver conforme o que eles desejavam. Portante, deixei de ser o que dava jeito a muita gente, e passei a construir relações realmente significativas.

E foi neste perído que encontrei o meu marido, o meu amor, o meu companheiro, pai do meu filho. Simples, complexo, sem cheta, tal como eu!!!! :') :') :') Hehehe!!! E como nos amamos todos!!! :) :) :) <3

E a falta de dinheiro obrigou-nos a encontrar novas alternativas para praticamente tudo: Readaptamos a cave da casa dos meus pais da forma mais digna possível, onde pintamos móveis antigos e lhes demos nova vida, reaproveitamos coisas da minha tal casa alugada, reorganizamos o jardim de modo a fazer antes uma horta, construimos um minhocário para reduzir os desperdícios e o lixo que faziamos, reciclamos... Aproveitamos o meu berço de bebé e foi aí que o nosso baby dormiu algumas noites... até nos apercebermos que ele estava bem era connosco (praticamos co-sleeping), e descartamos o berço!!! :)

Adaptamos uma mesa como muda-fraldas, caixas como "guarda-vestidos", procurei um caminho educativo para o meu filho que fizesse sentido e implicasse pouco gasto e poucos brinquedos, mas que fossem significativos: foi aí que encontrei Waldorf, e depois Montessori. Amo ambas e baseio-me nelas para educar o meu filho. Com isto vem tb a Disciplina Positiva e a Parentalidade Consciente, que estava aqui a pensar no que terá a ver com Minimalismo e concluo que, sim, poderá vir a poupar muito dinheiro no psicólogo para o D., um dia!!!!! Hehehe!!! Na verdade, este modo de parentalidade, baseado no amor, ajudará muito, isso sim, a criar um ser com uma auto-estima saudável (esperamos), que no tempo certo terá força e espírito crítico para saber selecionar o que é realmente importante e saber fugir a tudo o que nos faz mal: vícios, superegos, falta de empatia, etc...


Bem, mas quis o destino que eu voltasse a ter trabalho na minha área, e mais uma vez ainda bem que o Minimalismo se apoderou da minha vida, porque seria impossível virmos os 3 para aqui, para o meio do Alentejo, viver numa casinha tão pequenina, se estivessemos prisioneiros de muita coisa!

E cá estamos! Confesso que, apesar de tudo, ainda acho que tenho muitas coisas, mas cheguei à conclusão que, com um bebé, nos dias de hoje, é quase impossível não ter estas coisas. Ainda para mais, procuro uma vivência cada vez mais ecológica e sustentável, pelo que as Fraldas Reutilizáveis que ele usa, embora sejam algumas (aí umas 40) e ocupem mais espaço que as descartáveis, darão para ele e futuros irmãos e nunca poluirão o ambiente como as descartáveis fazem. A pegada ambiental que deixo assim, mais reduzida, faz-me acreditar que, pelo menos, lhe deixo um mundo um pouco melhor, e o legado de que a sua pegada ecológica é tb mais pequena.

A roupa dele é praticamente toda em 2a mão, e oferecida. Não precisamos de mais roupa para os bebés. Há dias li um artigo que dizia que, se não se produzisse mais roupa de bebé, tinhamos ainda roupa suficiente para todos os bebés que viessem ao mundo nos próximos 10 anos. Dá que pensar, não dá? Como é óbvio, estamos a guardá-la para um segundo bebé, e depois seguirá caminho, ou para outro bebé, ou para ser reciclada. As fraldas igual.

A minha roupa, que com os anos começou a ficar roçada, gasta e velha, faz-me agora só comprar roupa com mais qualidade para durar muito mais tempo, ou apenas roupa em 2a mão. Se puder ser em 2a mão e de qualidade, melhor! :) Calçado igual. A quantidade tb é menor do que chegou a ser no passado: tenho apenas o suficiente para caber na mala de viagem que uso quando tenho de mudar de casa devido à minha profissão! Se querem conhecer os novos ciganos em Portugal, são os professores!!!! Hahaha!!! :D :D :D Claro que por vezes há peças que não cabem na mala, mas essas ou as doo ou ficam com a minha mãe, apenas por causa daquele medo que já vos falei: não sabemos se vamos precisar outra vez. Por norma, recupero as roupas que só precisam de uma arranjinho, por outro, por vezes transformo-as em sacos para todas as utilidades. Seja como for, têm sempre uso. Uma coisa engraçada que me tem acontecido, é ter comentado com algumas colegas gostar de uma determinada peça de roupa que estão a usar e depois ser surpreendida com essa peça de presente, com um "tenho tanta roupa, já não a usava muito, e é a tua cara!" Sou grata ao Universo, porque nesses momentos sinto mesmo que vivemos, apesar de tudo, em abundância, e acredito que ao mesmo tempo essa libertação tb liberta a colega em questão, pelo que é um ganhar-ganhar! <3 E a gratidão é um sentimentos tão bonito e poderoso! <3 <3 <3 Gratidão! <3 <3 <3


O meu homem sempre teve pouca roupa, pelo que nem falo dele!!!! Hehehe!!! Tudo o que ele tem cabe tb numa mala de viagem há já anos da sua vida, não necessariamente pelos melhores motivos (histórias de vida, todos temos, não é?), mas tb aprendo com ele, pois é uma pessoa bastante desprendida das coisas. "Coisas são coisas, e o que importa somos nós" - diz-me ele quando, por alguma razão, sinto que há tanto que me faz falta, baseada nos velhos hábitos, sabem? "Uma casa, um carro, uma moto, montes de dinheiro para viajar, a nossa própria floresta... ;)" Aquelas coisas que toda a gente tem, mas nós não, mas porque é assim a nossa vida e um resultado das nossas opções: preferimos manter-nos juntos e só eu trabalhar do que ele ter de viver noutra terra por causa de um trabalho e dinheiro. Assim, ele tb fica com o baby, e quem pode ser melhor babysitter que um pai (se não houver avós por perto. Avós são os melhores babyssiters!!! ;) ;) :) )

To be continued...









Sem comentários: